Eu não sou nada supersticiosa. Mas ontem as coincidências negativas sucederam-se a um ritmo tal, que as minhas certezas ficaram abaladas. Desde que saí de casa que tudo correu mal. Sem exagero. Passei o dia feita “barata tonta”, a correr daqui para ali para conseguir fazer tudo a que me tinha proposto (entenda-se, trabalho). Fiquei presa no trânsito, corri praticamente a cidade a pé, sempre com a mala pesadíssima na mão, cheguei atrasada a um dos locais de trabalho (para quem não me conhece: eu tenho horrores a atrasos da MINHA parte, fico mais que chateado comigo mesma…) e ainda por cima sem necessidade, porque, no fim, não se chegou a concretizar o que estava acordado. Por mais que estivesse chateada com isso, perdoei facilmente a pessoa responsável. Não bastasse o trânsito e os atrasos, o tempo ontem esteve realmente mau mesmo por estas bandas. As minhas ‘corridas’ de ontem foram feitas ao som e efeitos de luzes desse magnífico fenómeno chamado “trovoada”, o que fez com que a determinada altura desse conta que era das poucas pessoas na rua. Estava cansada, o calor não ajudava, mas não havia tempo para parar e descansar. Chegou a pausa para almoço. Longa demais, tendo em conta que a primeira parte do dia tinha sido louca e nem tinha dado grande tempo para respirar. Enquanto esperava pelo autocarro (sou adepta incondicional dos transportes públicos na cidade), vejo quem não queria ter visto. Poderia ter sido noutro dia qualquer, mas não: tinha que ter sido ontem. Chego ao meu segundo (ou terceiro, não sei bem) posto de trabalho e, quando pensava que tudo poderia acalmar, eis que me surgem em catadupa problemas, caprichos, má-educação e, o pior, falta de profissionalismo. Aguentei custosamente até à hora de saída. De rastos, cheguei a casa e soube que a minha mãe tinha sido assaltada no autocarro. Pânico. O mundo parecia do avesso. Corremos a cidade entre estações de recolha e PSP’s. Nada. Dizem-nos para contarmos com o pior. Não alinhei neste pessimismo e convenci-me que tudo iria acabar bem. Chegamos a casa. Telefonam-nos a dizer que a mala tinha sido encontrada. Fomos buscá-la e as coisas pareciam ter acalmado. Perto da meia-noite jantei. Deitei-me. Não conseguia adormecer, a minha cabeça estava inundada de preocupações. Ao fechar os olhos, lembrei-me: era dia 13. Definitivamente, um dia de azar.