Sempre que encontro alguém que não vejo há muito tempo, não sei como reagir. Depois de toda a efusividade inicial e do discurso típico - "Oláaa! Por aqui? Há tanto tempo que não te via! Estás tão diferente" (e afins) - lá chega aquele temido momento em que ninguém fala, e os "pois é" e os "cá estamos" vão sustentando a suposta conversa.
Hoje passou-se precisamente isso com uma antiga aluna minha. Depois de todo o ritual, deu-se aquele impasse, em que nenhuma das partes fala. Começam as tosses fictícias, o ver das horas, o falar do tempo - tudo absolutamente dispensável, claro está - enquanto se deseja secretamente que aquela (inexistente) conversa seja interrompida por um qualquer telefonema de última hora ou por uma repentina saída na paragem seguinte.
Todos nós jogamos este 'jogo'. Uns sabem é jogá-lo melhor que outros.
Seremos todos uns falsos? Fingimos sorrisos e alegria quando reencontramos alguém, assumimos a pele de uma identidade que não nos pertence, fazemo-nos passar por indivíduos cheios de virtudes, mesmo que não o sejamos e naquele dia, naquele preciso momento e àquela mesma pessoa só nos apeteça dizer: "Olha... Gostei muito de te ver e tal, mas falamos depois, ok?"
Em contrapartida, vamos inventando desculpas mais ou menos credíveis que justifiquem a nossa saída (mais ou menos) airosa. Mesmo que a nossa cara denuncie a falsidade, mesmo que o nosso corpo reaja à desculpa esfarraparada, lá estamos nós, mergulhados na mentira e a justificar o nada.
Vendo bem as coisas... sim, somos todos uns falsos. Mas vamos vivendo bem assim.