Ontem e hoje.
Ontem.
Um dia perfeito, se o posso dizer. Acordei bem disposta, cantarolei o dia todo e sentia-me feliz. Talvez essa “felicidade matinal” tivesse a ver com o facto de saber que a tarde estaria por minha conta. Pela primeira vez em três semanas, tinha uma tarde só para mim. E quis passá-la com a minha mãe. Não sei há quanto tempo não saímos juntas, só as duas, como costumávamos fazer quando eu era mais nova. O tempo foi-se encarregando de me afastar destes programas, apesar de nunca o ter conseguido em relação à proximidade com os meus pais. Perante este cenário, um dia só de mulheres, das duas melhores amigas, parecia-me perfeito. E foi, de facto. Chegada a casa, e depois de toda esta jornada, foi tempo de “apontar agulhas” para o trabalho. As obrigações do dia seguinte não poderiam ser esquecidas. Estava arrasada, a trabalhar com um enorme sacrifício e numa “matéria” que nada me seduzia. Mas sempre aconchegada pelo conforto que só um dia como aquele me poderia ter dado.
Hoje.
Um dia horrível. Do início ao fim. Comecei por abrir os olhos duas horas antes do previsto e por ficar duas horas à espera que o despertador me lembrasse da sua existência. Depois de tanto tempo à espera, acabo por adormecer cerca de 15 minutos antes da hora de acordar. Levanto-me com dificuldade e sem vontade de grandes conversas. 6h30. Saio de casa sem motivação nenhuma para enfrentar o novo dia. Lá fora, um frio desconfortável e invulgar. Chego à formação. Durante aquelas intermináveis horas, concluo que não fui feita para aquilo. Saio frustrada e triste. Vou almoçar. Fico 40 minutos à espera do autocarro. Há um acidente, o trânsito não anda. Atraso-me. Telefonam-me. O telemóvel fica sem bateria. Chego ao local de trabalho. A disposição é pouca, e a paciência para caprichos também. Suspiro em silêncio pelo fim deste dia. As olheiras denunciam-me. Chego a casa. Desligo o ‘sistema’ – o dia acabou. E a maré de azares também.
Nem me atrevo a questionar o dia de amanhã...



