Repousados os neurónios e recuperada alguma da sanidade “perdida” (que à partida já não era muita) por terras alemãs, é tempo de recuperar as melhores memórias desta viagem. E que viagem! Por muito que conhecesse a Alemanha e já lá tivesse vivido por períodos mais ou menos longos, optei sempre por evitar a metrópole. Talvez porque, tendencialmente, não seja adepta de grandes cidades, de confusão, de multidões e de ambientes citadinos demasiado intensos. À partida, tudo isto me sufoca. Mas deixei-me levar, quis contrariar a ideia (errada) que tinha das capitais europeias. E confesso… apesar de todos estes “ses”, tinha uma grande curiosidade em conhecer Berlim.
A viagem foi marcada por todos os imprevistos e mais alguns. Tudo uma questão de timing, no fundo. Desde o voo ter sido cancelado por causa das tentativas de atentado (das quais só tomámos conhecimento no dia seguinte – lá está, timing perfeito para viajar…), passando por confusões sistemáticas e correrias desenfreadas pelo gigante aeroporto de Amesterdão em busca de um lugar num voo de substituição (e asseguro que houve empurrões, gritarias e rodas de malas a passar por cima de muitos pés…) e terminando em chegar 6 horas depois do previsto ao destino final – poderia ter sido bem pior, admito – sem forças para puxar a mala e sozinhas no mais escuro dos breus debaixo de uma chuva incansável, a tentar visualizar alguma placa, alguma indicação do nosso hotel. Finalmente chegámos. Uma recepção calorosa, cheia de sorrisos e de alegria – um autêntico elixir. ‘Desligámos’ completamente. Um novo dia esperava por nós.

Berlim é uma cidade simplesmente fascinante. Tendo em conta a minha paixão pela história e cultura alemãs, não seria difícil gostar desta cidade - tem uma riqueza histórica impressionante; em todos os cantos, becos, ruas, praças se sente a força do passado, as marcas da guerra, da opressão, da luta, da vitória; inúmeros monumentos, museus, espaços e homenagens recordam um passado inimaginável que nos arrepia e nos abala profundamente.
Por outro lado, a harmonia com que este passado convive com o presente seduz o mais exigente dos visitantes. A modernidade revela-se a cada passo – percorrer a Kurfürstendamm a pé, visitar as galerias de arte, os mais emblemáticos edifícios (sedes da Mercedes, da BMW, da Daymler-Chrysler e da Sony); ser acompanhada a cada passo por montras e montras de lojas de renome, conhecer de perto os locais que fizeram história e ficar deslumbrada a cada instante com a organização, o respeito pela diferença e a simpatia. Definitivamente, uma cidade que deslumbra. (As fotografias é que não lhe fazem jus).
Todos os dias desta aventura foram marcados pela chuva. Sem excepção. O cinzento do céu insistia em acompanhar-nos nesta jornada. A bem dizer, atrapalhou alguns dos nossos planos iniciais, mas o imprevisto até teve um sabor especial. Percorremos a cidade de lés a lés a pé, contactámos directamente com o novo cenário, convivemos com as gentes e sentimo-nos bem, muito bem mesmo. A minha amiga fascinada por novidade atrás de novidade; eu completamente rendida à beleza, à história, à riqueza cultural, à simpatia e à vivacidade da capital alemã. Conhecemos pessoas novas, inventámos histórias, divertimo-nos e rimo-nos -muito. Foram dias cheios, imparáveis. As noites é que, forçosamente, tiveram de ser mais calmas. Por isto e muito mais é que me apetece regressar. Tenho a certeza que muito mais haverá para descobrir. Restam-nos aquelas pequenas “preciosidades”, os pequenos ‘paraísos’ que não vêm descritos nos guias da American Express… mais uma desculpa para lá voltar ;)