Há dois anos, quando frequentei uma formação intensiva, conheci aquele que viria a ser um dos meus melhores amigos. Começou por uma simpatia mútua, evoluiu para algo que não sei bem explicar, estagnou e voltou a ser recuperada. Este percurso passou por altos e baixos, por momentos melhores e piores, mais ricos e mais vazios, e por outros que nunca foram falados nem clarificados. E, de uma forma mais ou menos consciente, a ausência deu lugar ao afastamento. Estupidamente, começámos a actuar como meros conhecidos; a cumplicidade inicial parecia ter deixado de existir. Os temas mais pessoais e os desabafos passaram a conversas de circunstância. As horas que passávamos no carro a falar, sem nunca conseguir parar, as picardias constantes, as partilhas, as idas aqui e ali, os cansaços, as alegrias, os olhares, os sorrisos, as longas despedidas… tudo isso tinha dado lugar a uma ausência fria e a um evidente afastamento. As coisas mudaram, as nossas vidas mudaram. Os objectivos profissionais ultrapassaram a nossa relação, surgiram novas prioridades e novos sorrisos. Nossos e dos outros que nos rodeavam. Perdemo-nos um do outro. Ontem, ao fim de seis meses, estivemos juntos. E por muito que tudo pareça ter regredido, sinto que esta se virá a transformar numa das pessoas realmente importantes na minha vida. Pela maturidade, pela sensatez, pelo carinho, pela doçura. E por tudo o mais que venha. Mesmo que o “tudo” inclua novas pessoas, novos amores, novas amizades e novos sorrisos.
Ontem soube que quero esta pessoa na minha vida.
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