Friday, October 24, 2008

Finalmente…

… o chamado alívio.

Venha de lá esse maravilhoso fim de semana a compensar!

Posted by Joaninha at 10:24:36 | Permalink | Comments (2)

Tuesday, October 21, 2008

Das diferenças.

Não resisto a falar disto, simplesmente porque há coisas que não me saem da cabeça com facilidade. E uma delas é a apatia. Percebo que nem todas as pessoas sejam iguais, que o meu entusiasmo natural pelas coisas boas, pelas novidades e pela felicidade dos outros que fizeram ou fazem parte da minha vida não sejam característica de todos. Mas do entusiástico ao apático vai um longo caminho e nessa escala os extremos parecem-me pouco razoáveis. Posso, por isso, dizer que fiquei chocada quando ontem, passados longos meses desde a última vez que estive com uma colega chegada, esbarrei com a sua apatia crassa em relação aos grandes passos que a sua vida deu nestes últimos meses e à forma perfeita como tudo lhe parece correr. Acho mesmo que apatia é uma palavra demasiado fraca para o descrever. Imaginem qualquer coisa entre isso e o desprezo total, ali a rondar a insensibilidade, a falta de emoção e afins. É por aí que a coisa está. Do lado dela, claro. Uma vez que do meu é o oposto. O que até acaba por ter o seu quê de piada, porque comparando as duas formas de ver a vida, eu pareço a pessoa mais falsa quando a ouço falar e reajo espontaneamente e sem conseguir parar de sorrir, de elogiar o caminho que percorreu e de a parabenizar por tudo o que conseguiu conquistar e que – teoricamente – a faz feliz. À sua maneira, mas feliz mesmo assim.

Não conhecesse eu relativamente bem a pessoa em causa, apostaria quase num negativismo por parte dela face à vida e às novidades que lhe dão cor. A verdade é que no espaço de um ano conseguiu atingir três objectivos: casou com a pessoa da sua vida (que sempre fez parte dela), abriu o seu negócio e engravidou. Claro que a cada uma destas boas novas, reagi, no devido tempo, da mesma forma: entusiasta e espontaneamente. Como eu sempre fui e serei. Pois, mas as pessoas não são iguais e essas conquistas parecem não ser suficientes para a deixar feliz. Não. E não bastasse, todo esse caminho tem sido cheio de sucesso, daquele tipo de coisinha que raramente se vê, em que tudo parece bater certo. Mas nem assim nasce algum entusiasmo mais que tal, é tudo “normal”. Aliás, esta deve ser a palavra que melhor define a sua visão da vida: “normal”. O casamento foi normal, o negócio normal foi e a gravidez… pois, normal. Se a reacção em relação aos dois primeiros me deixou assim um pouco incomodada, em relação à gravidez chocou-me. Chocou-me mesmo. E mais me impressionou perceber que a apatia ou lá o que é faz parte dos dois pais.

- “E então? Ficaste feliz com a novidade?”

- “Uh…mais ou menos. Vai ter piada é quando ele estiver cá fora…” – diz ele.

- “Caraças, é essa a tua reacção?!! Não festejaram? Não ficaram felizes?”

- “Normal. Planeamos e veio, pronto.”

Pronto. Planearam e veio.

Não cansada, ainda tentei sondar a mãe, a minha colega:

- “Grávida! Nem posso acreditar! Que espectáculo! Estás feliz?”

- “Sim… (impossível reproduzir a entoação, mas acho que conseguem imaginar…), passei foi mal por causa dos vómitos, ****-se, três meses sempre a vomitar e ando sempre cheia de sono e com fome.”

- “Sim, mas tudo vale a pena! Deve ser uma sensação excelente, sobretudo se é desejado! Tu… mãe! Que espectáculo!”

- “Sim.”

Claro que apesar de toda a apatia – que, quero acreditar fazem parte do período de gravidez – não parei de lhe fazer perguntas e de os felicitar pelo bebé. Independentemente de tudo o resto, eu estava mesmo feliz. Aparentemente, a criança será em toda a sua personalidade papel químico dos pais, e isso é algo estranho. Do tipo de me deixar mesmo incomodada e sem saber muito bem que pensar…

Mal fechei a porta de minha casa, sentei-me no chão e fiquei em silêncio uns minutos. A digerir tudo, a tentar compreender algo que me parece pouco razoável de ser entendido. E depois abri os olhos. Percebi em poucos instantes que não queria aqueles pensamentos, aquelas lembranças junto de mim. Voltei para junto das pessoas que apreciam o meu entusiasmo e são, por tudo o que as define, a origem dessa minha visão da vida. E que, de certeza, saberão sempre sorrir e receber todas as minhas vitórias como parte das suas – e isso é tudo.

Posted by Joaninha at 10:22:21 | Permalink | Comments (3)

Thursday, October 9, 2008

“Everybody’s changing and I don’t feel the same”

Se eu falasse de tudo o que se passou neste último mês e que me fez querer parar, pausar e desligar de algumas partes do mundo lá fora, não saía daqui. Enchia este post com dissertações sem fim ou sem justificação, diriam vocês. Pois. Porque há dores que só cada um de nós conhece, simplesmente porque nos sabem a coisas diferentes. A minha dor, a minha angústia e muita da minha ausência ganhou força na frustração que, estupidamente ou não, fui ganhando ao tentar percorrer um caminho que me pareceu o mais lógico. A nível pessoal e profissional. E às tantas, dei por mim a ver-me sob a perspectiva de uma terceira pessoa e a reconhecer que faltam alguns pequenos grandes passos que o destino ou outra força qualquer parece repelir de mim sem hesitação. Aliás, a mudança como a vejo e sinto anda de relações cortadas com a minha sorte, definitivamente. E, pior que tudo, acabei por ver surgir em mim alguns sentimentos que não me pertencem e que desprezo totalmente. Uma inevitabilidade, é assim que os vejo. Sentimentos muito momentâneos que rapidamente perderam força no coração, simplesmente porque não lhe pertencem. Mas algo legítimos, porque a mudança também devia passar por aqui e retribuir todo o esforço dos últimos anos. O cansaço acumulou-se. Os braços quiseram baixar-se e aceitar que há caminhos diferentes e que os melhores não estavam à minha frente, mas ali mesmo ao lado, onde já não os conseguia apanhar.

Felizmente, os amigos chegaram mais cedo que o previsto e vieram ajudar a limpar as lágrimas. Colaram sorrisos por todo o coração e deixaram que tudo o mais desaparecesse. Ficamos nós. Ignorando tudo e todos que não interessam, ganhando força para pontapear os sentimentos menos bons e para agarrar tudo aquilo que enche o coração. E para acreditar que a mudança chega sempre e que quem batalha mais cedo ou mais tarde acaba por vencer. Pode é demorar mais ou menos tempo. “Achas?”, pergunto eu. “Sei.”, dizes tu.

E tudo parece bem de novo.

 

Posted by Joaninha at 11:49:29 | Permalink | Comments (4)